Quinta, 24 Abril 2014
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Mali: Conselheiro das Nações Unidas para Genocídio adverte sobre as represálias contra a população Árabe e Tuaregue

TuareguesUm alto oficial das Nações Unidas informou sobre os riscos de ataques em represálias contra os civis árabes e tuaregues em várias regiões no norte de Mali e advertiu as forças militares a protegerem todos os cidadãos independentemente de sua etnia. “Embora a liberação das cidades sob controle dos grupos rebeldes e extremistas trouxe esperança para a população do norte de Mali, eu estou profundamente preocupado com o risco de ataques em represália contra os civis tuaregues e árabes”, disse em comunicado no passado sábado dia 1 de Fevereiro, Adama Dieng, o Conselheiro Especial para a Prevenção do Genocídio.

A luta entre as forças do governo e os rebeldes tuaregues eclodiu no Mali em Janeiro passado, depois que os radicais islâmicos terem tomado o controle da área. O conflito expulsou milhares de pessoas e levou o Govermo do Mali a solicitar a assistência da França para parar a progressão dos grupos extremistas.

O Sr. Dieng disse que estava preocupado com as denúncias de violações de Direitos Humanos cometidas pelo Exército do Mali, incluindo as execuções sumárias e os desaparecimentos, em Sevare, Mopti, Niono e outras cidades próximas das áreas onde as batalhas ocorreram. Ele tem também alguns relatos de incidentes de execuções em massa e saques em comunidades árabes e tuaregues, que foram acusados de formação de grupos armados baseados em sua etnia.

“Eu estou realmente preocupado com as denúncias de violações cometidas pelo exército, e pelas denúncias de que as forças armadas terão recrutado e armado grupos de milícias alternativas para instigar ataques contra etnias em particular e grupos nacionais no norte de Mali”, disse o Sr. Dieng. “Eu apelo a que o Exército do Mali cumpra a sua responsabilidade em proteger toda a população, independentemente da sua raça ou etnia”.

Na semana passada, a procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, abriu uma investigação sobre os crimes cometidos no Mali desde de Janeiro de 2012, incluindo homicídios, tortura e violações, especialmente na parte norte do país.

Sr. Dieng agradeceu a decisão e exortou todas as partes do país respeitarem as normas de Direito Humanitário e de Direitos Humanos.

Enquanto isso, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), informou que apesar de muitos deslocados estarem ansiosos para voltar para a casa, os relatos de distúrbios e ataques de vingança contra tuaregues e árabes, bem como estradas fechadas e falta de serviços de autocarros para algumas cidades, impedem que estas pessoas regressem em segurança. “Na capital, Bamako, temos entrevistado famílias desalojadas que nos disseram que estão prontas para o retorno às regiões de Gao, Timbuktu e Kidal, logo que as estradas do norte estejam reabertas”, disse o porta voz do ACNUR em Genebra, Adrian Edwards.

“Escassez de alimentos, combustível e energia elétrica, e também a interrupção dos serviços básicos como saúde e educação, foram também mencionados pelas pessoas que preferem esperar e ver antes de regressar ao norte”.

Muitas pessoas deslocadas internamente relataram que as suas casas no norte foram danificadas ou destruídas e as famílias com crianças nas escolas em Bamako disseram que eles não irão regressar ao norte no final do ano escolar, em Junho.

Outra preocupação é a presença de minas anti-pessoal e engenhos explosivos não detonados que ameaçam a população civil e as agências de ajuda humanitária que esperam poder ajudar a população, disse o Sr. Edwards.

O ACNUR também relatou que os refugiados continuam a fugir para os países vizinhos por causa da batalha ou com medo de represálias.

 

Fonte: UN News Centre, traduzido e editado por UNRIC em 04/02/2013


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