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Situação humanitária no Mali agravou-se após confrontos armados

01-15-2013bamakomaliA mais recente ronda de confrontos militares entre as forças armadas do Mali e os grupos de radicais islâmicos geraram uma nova onda de pessoas deslocadas e levaram a uma deterioração da situação humanitária no norte do país.

De acordo com o Gabinete da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), mais de 30 mil pessoas abandonaram as suas casas durante o fim de semana, coincidindo com a declaração do estado de emergência por parte do Governo e o início de uma operação aérea levada a cabo pela França para apoiar o exército do Mali. O número de pessoas deslocadas internamente subiu assim para mais de 200 mil.

“A degradação das condições sanitárias, de abrigo, de saúde e de segurança alimentar que se tem verificado ao longo dos últimos nove meses no norte deverá agravar-se à medida que o número de pessoas deslocadas internamente aumenta”, relatou aos jornalistas o porta-voz do OCHA, Jens Laerke.

O norte do Mali foi ocupado por radicais islâmicos após o início dos combates, em Janeiro de 2012, entre as forças do Governo e os rebeldes Tuaregue, a que se seguiu um golpe de Estado, em Março.

Os novos combates surgem numa altura em que cerca de 4.2 milhões de Malianos necessitam de ajuda humanitária, de acordo com as estimativas do OCHA. Este número inclui cerca de 2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, e centenas de milhares de crianças em situação de subnutrição.

O Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR) sublinha que é cada vez mais difícil ter acesso a algumas áreas no norte do país, enquanto os combates prosseguem. Na capital, Bamako, muitas famílias lutam para fazer face às dificuldades à medida que a situação piora.

“Muitas famílias vivem em quartos pequenos em más condições, sem electricidade ou acesso directo a água. Em geral, há falta de espaço para instalar todos os membros da família. Há uma enorme necessidade de dinheiro, comida e abrigo”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, acrescentando que o Alto Comissariado está agora a trabalhar com parceiros sobre a criação de actividades geradoras de rendimento que possam melhorar a situação.

O ACNUR está também a assistir malianos que deixaram o país em direcção ao países vizinhos como Nigéria, Burkina Faso e Mauritânia, providenciando água potável, estruturas sanitárias e de higiene, cuidados de saúde e educação.

“Os refugiados dizem-nos que fugiram da intervenção militar, da ausência de oportunidades de subsistência e de serviços básicos, e da imposição da Sharia”, afirma Adrian Edwards. O porta-voz acrescenta que o ACNUR precisa de mais fundos para a crise do Mali, tendo recebido apenas 77.4 milhões de dólares, de um total de 123 milhões que seriam necessários para ajudar os refugiados e deslocados internos em 2012. Para 2013 a agência prevê que sejam necessários mais 195.6 milhões de dólares.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) advertiu para os problemas crónicos de insegurança alimentar e malnutrição no país, que irão agravar-se com o decorrer do conflito. Até agora, esta agência conseguiu providenciar alimentação de emergência para 270 mil pessoas afectadas pelo conflito no norte, incluindo 70.000 deslocados internos. No entanto, afirma que a insegurança persistente coloca limitações sérias ao seu trabalho.

A porta-voz do PAM, Elisabeth Byrs, acrescentou que a agencia continuará a trabalhar para monitorizar a situação e a trabalhar com os parceiros para chegar a mais de 400 mil pessoas afectadas pela crise nas cidades de Timbuktu, Gao and Kidal, algumas das áreas mais afectadas.

À medida que o número de deslocados internos aumenta, aumenta também a preocupação em relação às crianças, que correm o risco de ser separadas das famílias, e estão mais vulneráveis a diversas formas de abuso, incluindo o recrutamento militar e a violência sexual, alerta a UNICEF.

“Uma grande preocupação é com o facto de as crianças serem utilizadas para combater”, afirma Marixie porta-voz da UNICEF. “As crianças foram frequentemente utilizadas na primeira onda de combates, o que aumenta consideravelmente o risco de ferimentos ou morte”.

Além das preocupações humanitárias, há ainda a preocupação de proteger os locais culturais do país, que já foram anteriormente atacados durante os combates. A Directora-Geral da UNESCO, Irina Bokova, lançou um apelo a todas as forças militares no país para que “façam todos os esforços para proteger o património cultural do país, que foi já bastante danificado. ”

“O património cultural do Mali é uma jóia cuja protecção é importante para toda a humanidade. Este é o nosso património comum, nada justifica que seja destruído. O património carrega a identidade e os valores de um povo”, afirmou Irina Bokova.

“Em 2012, a destruição de locais no Mali que são Património da Humanidade, especialmente mausoléus em Timbuktu, provocou uma onda de indignação em todo o mundo, ajudando a despertar consciências para a situação crítica do povo Maliano. A actual intervenção militar deve proteger as pessoas e o património cultural do Mali”, acrescentou.

UN News Centre/15 de Janeiro de 2013

A semana em imagens

A emergência humanitária e de segurança no Sudão do Sul; a continuidade das atrocidades na Síria e as ações da ONU; a entrevista com a chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, que está deixando o cargo; o perigo representado pelos novos “cigarros eletrônicos”; e a discussão global, em Samoa, sobre desenvolvimento sustentável nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento – estes são os destaques do resumo semanal da ONU em imagens. Legendado pela ONU Brasil.

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