As mulheres e meninas correm o risco de ficar para trás nas áreas científicas e tecnológicas, caso os países não ponham em prática medidas para combater a discriminação e alterar as atitudes tradicionais. Esta é uma das conclusões da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que afirma que este gap constitui um obstáculo ao progresso das nações.
“As mulheres tendem a estar sobre-representadas nas áreas de humanidades e ciências sociais, e sub-representadas na ciência e tecnologia”, afirmou Claude Akpokavie membro do Gabinete para as Actividades dos Trabalhadores da OIT. “É necessário implementar medidas para reparar este desequilíbrio”, acrescentou.
De acordo com a OIT, o gap entre homens e mulheres nos campos científico e tecnológico está relacionado com as percepções dos papéis de género e com as atitudes em diferentes sociedades – tanto nos países desenvolvidos como em desenvolvimento – que encorajam as mulheres a seguir disciplinas “mais leves”.
Ao longo dos últimos meses têm surgido histórias recentes que revelam grandes discrepâncias, em vários países do mundo, que impedem a participação das mulheres na ciência e tecnologia, quer na escola, quer no mercado de trabalho, afirma a OIT.
Nos Estados Unidos, por exemplo, um estudo da Universidade de Yale revela que as mulheres formadas em ciências são discriminadas quando se candidatam a posições de investigação. No Irão, o Governo anunciou recentemente que as mulheres serão excluídas de uma série de programas universitários, incluindo física nuclear e engenharia electrotécnica. Na China, várias universidades exigem às mulheres notas de entrada superiores às dos homens para cursos de ciências.
“Em comparação com os rapazes, é menos provável que as raparigas estudem engenharia ou ciências computacionais ou físicas”, afirma a Directora do Gabinete para a Igualdade de Género da OIT, Jane Hodges. “Os estereótipos em relação às raparigas representam-nas como sendo menos interessadas ou menos capazes em certas matérias – como matemática e ciência. Isto reduz inevitavelmente o seu acesso a profissões melhor remuneradas, ou a mercados de trabalho que podem oferecer melhores oportunidades.” “No entanto, quando são encorajadas, as raparigas atingem níveis de excelência nas áreas científicas”, acrescenta.
Com cerca de 500 milhões de pessoas a entrar no mercado laboral global na próxima década, Jane Hodges sublinha que é crucial que as mulheres nas áreas de ciência e tecnologia não sejam mantidas a trabalhar apenas nos níveis mais baixos.
“Embora as mulheres preencham mais de 60% dos postos relacionados com tecnologias de informação e comunicação nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), apenas 10 a 20% são programadoras de computadores, engenheiras, analistas de sistemas ou designers”, afirma. “A educação e formação por competências – e uma mudança nas atitudes – são vitais para assegurar que as mulheres não sejam deixadas para trás.”