Quinta, 24 Abril 2014
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Espécies marinhas ameaçadas pela poluição e pelas alterações climáticas, diz relatório da ONU

A poluição, a sobrepesca e as alterações climáticas estão a ter um impacto cada vez mais prejudicial nos oceanos do mundo, aumentando o risco de extinção de espécies marinhas indígenas em todas as regiões, adverte hoje um novo relatório das Nações Unidas.

 

 

Prevê-se que a produtividade e, consequentemente, as capturas diminuam em todas as zonas até 2050, no mundo inteiro, e que as pescarias passem a ser constituídas em grande medida por espécies mais pequenas, situadas a um nível mais baixo da cadeia alimentar, afirma o relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), Marine Biodiversity Assessment and Outlook: Global Synthesis.

Se não forem combatidas, as alterações climáticas poderão levar as temperaturas da superfície dos oceanos a aumentar até 2100, o que terá importantes repercussões para os recifes de coral e outros organismos marinhos sensíveis à temperatura. Entre as mudanças previstas incluem-se ainda o aumento progressivo e generalizado dos níveis de azoto devido a descargas de águas residuais, efluentes agrícolas e emissões dos veículos e navios.

O azoto pode dar origem a eflorescências de algas que, por sua vez, são tóxicas para os peixes e outras espécies marinhas, bem como contribuir para a formação das chamadas zonas mortas – zonas dos oceanos com baixas concentrações de oxigénio.

O relatório refere ainda as preocupações quanto ao crescimento de espécies marinhas invasivas, normalmente transportadas para regiões diferentes das de origem na água de balastro dos navios ou agarradas ao seu casco, fazendo notar que os impactos cumulativos de todos estes factores terão consequências graves em termos de extinção de espécies marinhas indígenas em todas as regiões.

O declínio progressivo da biodiversidade marinha porá em risco a resiliência dos ecossistemas marinhos e costeiros perante os efeitos das alterações climáticas, bem como a sua capacidade para atenuar esses efeitos, afirma o relatório.

"Desligar o crescimento de níveis crescentes de poluição é o principal desafio que esta geração enfrenta", declarou Achim Steiner, Director Executivo do PNUA. "Não há área nenhuma em que isso seja mais evidente do que a da saúde actual e futura dos mares e oceanos do mundo. Serviços que valem vários biliões de dólares, incluindo a pesca, o controlo do clima e os serviços que estão na base de indústrias como o turismo estão em risco, se os impactos no meio marinho não forem controlados e reduzidos".

"Os governos estão a começar a fazer face ao desafio através de acções no âmbito das convenções e planos de acção relativos aos mares regionais. Este relatório mundial, que se baseia em 18 relatórios regionais, salienta que as ambições e acções devem actualmente corresponder à escala e urgência do desafio".

Dada a natureza e a dinâmica transfronteiriças dos oceanos, é necessário que todas as regiões empreendam acções, e os países devem trabalhar juntos para tentar encontrar soluções. Essas acções devem incluir abordagens intersectoriais, como, por exemplo, a gestão baseada nos ecossistemas, de modo a terem-se em conta as actividades que afectam os ecossistemas marinhos, pois a combinação da utilização humana crescente e dos efeitos esperados do aumento das temperaturas e da acidificação dos oceanos representa uma ameaça para a biodiversidade marinha, da qual dependem muitas actividades humanas.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 19/10/2010)


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