Sexta, 25 Maio 2012
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Tráfico de pessoas é uma das actividades ilegais mais lucrativas na Europa

O tráfico de pessoas é uma das actividades ilegais mais lucrativas na Europa, segundo um relatório das Nações Unidas, lançado hoje pelo Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (ONUDC), em Espanha, que se tornou, assim, o primeiro país do continente a aderir a Campanha Coração Azul contra o tráfico de seres humanos.

O relatório, intitulado Trafficking in persons to Europe for sexual exploitation, publicado pelo UNODC, mostra que os grupos criminosos obtêm cerca de 3 mil milhões de dólares por ano graças à exploração sexual e ao trabalho forçado de cerca de 140 000 pessoas.

Na sua maioria, as vítimas são mulheres, que são objecto de exploração sexual ou sujeitas a trabalho forçado. Entre outras formas de tráfico figuram a servidão doméstica, a extracção de órgãos e a exploração de crianças.

“Os Europeus pensam que a escravatura foi abolida há séculos. Mas olhai à vossa volta e vereis os escravos no meio de vós. Temos de intensificar os esforços para reduzir a procura de produtos produzidos por escravos ou através da exploração de seres humanos”, declarou o Director Executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, por ocasião do lançamento do relatório.

Participaram na cerimónia, a Ministra espanhola da Igualdade, Bibiana Aido, a Embaixadora de Boa Vontade do UNODC, Mira Sorvino, a actriz Belén Rueda e a jornalista e militante mexicana de direitos humanos, Lydia Cacho.

Lançada a 15 de Abril passado no México, a campanha “Coração Azul” tem como objectivo sensibilizar os governos, a sociedade civil, os meios de comunicação social e o público em geral para os perigos dos tráfico de pessoas.

Segundo o relatório, 140 000 pessoas são vítimas de tráfico na Europa. Não há um sinal claro de diminuição recente do número de vítimas. Todos os anos, cerca de 70 000 pessoas vêm engrossar as fileiras dos explorados, ou seja, 50% do número total de seres reduzidos à escravatura.

Aproximadamente 84% das vítimas na Europa são objecto de tráfico para exploração sexual. Na sua maioria trata-se de mulheres que são violadas, violentadas, drogadas, aprisionadas e  vítimas de chantagem e vêem o seu passaporte ser-lhe confiscado.

Na Europa, 32% das vítimas provêm dos Balcãs, 19% vêm dos países da ex-União Soviética, 13%, da América do Sul, 7%, da Europa Central, 5%, de África, e 3%, do Leste Asiático. Na sua maioria, os traficantes são homens, embora, como o relatório sublinha, as mulheres estejam sobre-representadas entre os traficantes. As mulheres são, com frequência, utilizadas por certos grupos para fazer as vítimas caírem mais facilmente na armadilha.

O número de acções judiciais contra traficantes é relativamente baixo, se comparado com o número de vítimas, lamenta o relatório.

Segundo o UNODC, mais de 2,4 milhões de pessoas são actualmente vítimas de tráfico para fins comerciais.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 30/06/2010)

 

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