Uma conferência apoiada pelas Nações Unidas e destinada a regular o comércio internacional de espécies em perigo, como elefantes, ursos polares, tubarões e atuns-rabilhos, arrancou, hoje, no Catar, com um aviso de que têm de ser tomadas medidas mais enérgicas para proteger a fauna selvagem em risco.
Cerca de 1500 delegados de mais de 170 governos, empresas, organizações não governamentais (ONG) e grupos indígenas estão presentes na cimeira trienal da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), na capital do Catar, Doha.
Pelo menos 42 propostas estão agendadas para discussão na cimeira de duas semanas, sendo que muitas delas reflectem a preocupação internacional com a destruição acelerada dos ecossistemas marinhos e florestais através da sobrepesca e do corte excessivo de árvores, segundo um comunicado de imprensa emitido pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), que administra o secretariado da CITES.
Entre as outras propostas contam-se pedidos de medidas urgentes para conter o comércio ilegal de produtos de tigres, rinocerontes e outras espécies consideradas à beira de extinção. Os Estados-membros tomarão decisões sobre medidas para conservar espécies por consenso ou por uma votação de uma maioria de dois terços.
Willem Wijnstekers, o Secretário-Geral da CITES, afirmou que é necessária uma cada vez maior vontade política dos Estados-membros em relação à Convenção – que entrou em vigor em 1975 –, se quiserem enfrentar os desafios e problemas dos nossos dias.
“Não queremos correr o risco de desiludir o mundo em desenvolvimento neste combate para garantir que o comércio de espécies da fauna e flora selvagens seja realizado de uma forma legal e sustentável”, afirmou.
A Assembleia Geral declarou 2010 Ano Internacional da Biodiversidade e o Director Executivo do PNUA, Achim Steiner, afirmou que este ano é crítico para os governos tomarem medidas para proteger as espécies.
“Ao garantir que o comércio internacional de espécies da vida selvagem seja devidamente regulado, a CITES pode ajudar a preservar a fauna e flora selvagens do planeta da sobreexploração e, desse modo, contribuir para uma melhor gestão desses bens naturais fundamentais para o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Hoje, na abertura da conferência, foi anunciado que John Scanlon, assessor do PNUA, será o próximo Secretário-Geral da CITES e assumirá funções em Maio.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 13/03/2010)