A ONU vai realizar um importante estudo para determinar a influência das alterações climáticas e de algumas das substâncias químicas mais perigosas do mundo na saúde humana e no ambiente.
O novo estudo, que se realizará ao longo de 12 meses, foi anunciado pelo Secretariado da Convenção de Estocolmo e ajudará a comunidade científica e os decisores políticos a compreenderem melhor os efeitos das alterações climáticas nas emissões, distribuição ambiental e toxicidade dos chamados poluentes orgânicos persistentes (POP), bem como da exposição aos mesmos.
A Convenção de Estocolmo ocupa-se dos pesticidas e substâncias químicas industriais perigosos, susceptíveis de matar pessoas, afectar os sistemas nervoso e imunitário, causar cancro e perturbações do sistema reprodutor e interferir no desenvolvimento normal das crianças.
Já foram proibidas mais de 20 substâncias nos termos da Convenção de 2001, cujo objectivo é proteger a saúde humana e o ambiente contra os POP.
Segundo Fatoumata Keita-Ouane, uma cientista do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) que está a conduzir o estudo, alguns dados sugerem que as temperaturas mais elevadas podem tornar a fauna e flora selvagens mais sensíveis a certos poluentes.
Na região do Árctico, algumas consequências das alterações climáticas – por exemplo, a fusão da calote polar – deverão modificar os níveis de exposição de mamíferos marinhos, como as focas ou os ursos polares, a substâncias tóxicas.
"A exposição a POP conjugada com outros factores, tais como o aumento do número de vectores de doenças e a supressão imunitária, também podem ter um efeito prejudicial em certos organismos, na rede de alimentação e na biodiversidade", disse a Dra. Keita-Ouane.
Além disso, o aumento dos níveis de POP no ar e na água devido à libertação de substâncias pela fusão do gelo e da neve, aliado a um aumento das emissões eventualmente causado pelas alterações climáticas, poderá tornar mais vulneráveis os organismos expostos aos POP directa ou indirectamente, através da cadeia alimentar, dando origem a impactos ainda mais adversos para a saúde humana e o ambiente.
O estudo, no âmbito do qual mais de 10 organizações de cinco países irão examinar os dados científicos mais recentes utilizados para avaliar POP novos e os já existentes, foi anunciado de modo a coincidir com a 5ª Conferência de Ministros do Ambiente e da Saúde, realizada em Parma, na Itália, que termina hoje.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 12/03/2010)