O Programa Alimentar Mundial (PAM) declarou-se favorável a uma investigação independente sobre as suas operações na Somália, depois de um grupo de supervisão da ONU ter acusado várias empresas que trabalham com o Programa de desvio da ajuda alimentar.
“A integridade da nossa organização é fundamental e analisaremos e investigaremos todas as questões levantadas por esse relatório”, garantiu a Directora Executiva do Programa, Josette Sheeran, prometendo que “o PAM está disposto a dar a sua total colaboração a qualquer investigação independente sobre o seu trabalho na Somália”.
Ao mesmo tempo, o PAM declarou que não realizaria qualquer actividade com as três empresas de transportes acusadas de envolvimento no tráfico de armas no relatório do Grupo de Supervisão.
Josette Sheeran declarou que, apesar dos perigos da realidade somali, o PAM fazia todos os possíveis por prestar ajuda aos que sofrem de fome no país. Há sempre fragilidades nas zonas de conflito, lembrou, assegurando que muitas das questões levantadas no relatório já foram abordadas, enquanto outros pontos mencionados no mesmo estão em contradição com os factos e informações operacionais de que o PAM dispõe.
O PAM pede, assim, a possibilidade de corrigir certos factos e de informar o Grupo sobre as medidas que já foram tomadas.
Em Janeiro, o PAM suspendeu as suas operações no Sul da Somália, em resposta à intimidação do seu pessoal e às exigências irrazoáveis de certos grupos armados que estavam em desacordo com as suas regras e regulamentos relativos à prestação de ajuda alimentar.
O relatório do Grupo de Supervisão sobre a Somália deve ser apresentado ao Conselho de Segurança na próxima semana. A Somália, cuja população era inferior a 10 milhões de indivíduos, em 2008, conta com 1,4 milhões de deslocados e 560 000 refugiados nos países vizinhos.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 11/03/2010)