Na sequência de uma visita a Itália, a Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, exortou, hoje, as autoridades italianas a criarem uma instituição nacional independente de defesa dos direitos humanos, a fim de preservar a população das violações dos seus direitos fundamentais, nomeadamente os migrantes e os ciganos que são especiais vítimas de discriminações.
“Durante os diferentes encontros, tive a oportunidade de analisar determinados problemas, nomeadamente relacionados com a liberdade de imprensa e com a necessidade de criar uma instituição de direitos humanos”, afirmou Navi Pillay, quando de uma conferência de imprensa em Roma.
A Alta-Comissária encontrou-se com altos responsáveis italianos bem como com organizações não governamentais locais e internacionais. Visitou, nomeadamente, dois campos dos arredores de Roma onde se encontram ciganos, migrantes e requerentes de asilo. A defesa das minorias, como os ciganos, e a situação dos migrantes em Itália “foram os dois principais problemas abordados quando das minhas conversas com o Governo”, afirmou.
Navi Pillay criticou determinadas práticas das autoridades italianas, nomeadamente a de repelir os migrantes no mar, a de criminalizar os migrantes e, consequentemente, prender mulheres, crianças e homens que não cometeram crimes.
A Alta-Comissária censurou também a difusão, pelos meios de comunicação social italianos, de estereótipos sobre os migrantes e os ciganos. “Fiquei particularmente chocada ao saber, através de um estudo, que 5684 reportagens televisivas focaram a imigração. Dessas reportagens, apenas 26 não ligaram a imigração a um facto especificamente criminoso ou um problema de segurança”, lamentou.
Exortou os dirigentes e os meios de comunicação social italianos a lançarem uma campanha contra este tipo de comportamentos e a criarem uma instituição nacional independente de defesa dos direitos humanos.
“O meu gabinete espera prosseguir, tanto em Genebra como em Bruxelas, o diálogo construtivo que iniciámos aqui”, afirmou.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 11/03/2010)