Sábado, 06 Fevereiro 2016
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ONU organiza debate sobre erradicação da Mutilação Genital Feminina

FOTO Albert Gonzalez Farran, UNAMIDO Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina é observado pela Organização das Nações Unidas (ONU), anualmente, a 6 de fevereiro, para chamar à atenção para o facto de mais de 140 milhões de meninas e mulheres, em todo mundo, terem sido sujeitas a estas práticas violadoras dos direitos humanos.

Para debater a situação e encontrar novas respostas, o Fundo das Nações Unidas para a População, o Fundo das Nações Unidas para a Infância e outros parceiros promovem a 8 de fevereiro, na sede da ONU em Nova Iorque, um evento intitulado “Mobilização para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável através da eliminação da MGF até 2030”.

O evento decorre das 17h00 às 19h00 (hora de Lisboa), com um painel de discussão que se seguirá ao discurso do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

A sessão pode ser acompanhada em direto, através do website do canal de televisão online da ONU: http://webtv.un.org/.

A Mutilação Genital Feminina (MGF) refere-se a todos os procedimentos que envolvem a alteração ou ferimento dos órgãos genitais femininos por razões que não sejam médicas. É reconhecida, internacionalmente, como uma violação dos direitos humanos das meninas e mulheres e constitui uma ameaça para a sua saúde, bem-estar e auto-estima das mesmas, pondo muitas vezes em risco a própria vida.

 O papel da nova agenda de sustentabilidade

A eliminação da MGF tem sido solicitada por inúmeras organizações inter-governamentais, incluindo a União Africana, a União Europeia e a Organização para a Cooperação Islâmica, bem como em duas resoluções da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, que entraram em vigor no passado dia 1 de janeiro para os 193 Estados-membros que adotaram a Agenda 2030,  são outro instrumento onde a comunidade internacional estabelece propostas para eliminar a MGF. A meta 5.3 do Objetivo 5 pretende, até 2030, “Eliminar todas as práticas nocivas, como os casamentos prematuros, forçados e envolvendo crianças, bem como as mutilações genitais femininas”.

Esta resposta global chega numa altura em que a MGF é cada vez mais reconhecida como uma preocupação global: é praticada em mais de 30 países (ver tabela abaixo) e tornou-se, também, uma realidade nas comunidades de diáspora desses países que vivem na Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia.

 

FOTO ONU

Embora a percentagem de meninas e mulheres que são submetidas a esta prática tenha vindo a diminuir, em todo o mundo  - sobretudo no Benin, Burkina Faso, República Centro-Africana, Egito, Iraque, Quénia, Libéria, Nigéria e Senegal –, o número total de raparigas em risco continua a aumentar. Isto acontece porque a MGF está concentrada em países com alta fertilidade e uma estrutura etária jovem. Em muitos dos países onde a prática é comum, mais de 40% das mulheres têm menos de 15 anos.

Nas regiões onde existe uma prática tradicional de infibulação (que é uma forma severa de MGF que inclui a costura ou selagem dos lábios genitais), a tendência é de um procedimento menos extenso. Vários países estão também a procurar mais médicos que procedam à MGF como forma de diminuir a dor causada pelo procedimento e os efeitos secundários. Mas nenhuma dessas tendências anula o facto de a MGF constituir uma violação básica dos direitos humanos e contribuem, inclusive, para que ela persista.

A comunidade internacional comprometeu-se com o fim de todas as formas de Mutilação Genital Feminina no tempo de uma geração e com a prestação de cuidados de qualidade para todas as meninas e mulheres que tenham sido submetidas a esta prática. A erradicação da prática da MGF é um elemento fundamental na criação de um mundo em que os direitos humanos de todas as mulheres e meninas são totalmente respeitados.

 

 FOTO ONU

 O que é a MGF?

A MGF diz respeito a todos os procedimentos que levam à remoção parcial ou total da genitália feminina externa e todas as lesões provocadas nos órgãos genitais femininos por razões culturais ou outras que não sejam de ordem médica.

 Como é que a MGF afeta a saúde das meninas e mulheres?

Os efeitos da MGF podem incluir, a curto ou a longo prazo, danos físicos e psicológicos – podendo mesmo provocar a morte –, cuja gravidade depende de variados fatores: o tipo de procedimento realizado, a experiência do profissional, as condições em que se realiza, a capacidade de resistência e o estado geral de saúde da menina ou mulher.

As complicações imediatas podem incluir muita dor, choque, hemorragia, infeção, retenção de urina, ulceração da região genital e prejuízo para o tecido adjacente, febre e septicémia.

As consequências, a longo prazo, podem incluir anemia, formação de quistos, abcessos e cicatrizes, incontinência urinária, disfunção sexual, hipersensibilidade da área genital e complicações durante o parto. As mulheres sujeitas às mais severas formas de MGF,  tais como a infibulação, têm grandes riscos de parto prolongado e obstruído, resultando, por vezes, na morte do bebé. Os filhos de mulheres que foram submetidas a formas mais severas de MGF possuem um risco mais elevado de morrer à nascença.

 Estes riscos podem ser reduzidos se o procedimento for feito por um médico?

A MGF nunca será “segura”. Mesmo quando o procedimento é levado a cabo num ambiente esterilizado e por profissionais de saúde. Podem ocorrer graves consequências para a saúde imediatamente após o procedimento, ou depois, durante a vida.

Os profissionais de saúde treinados que levam a cabo práticas de mutilação genital feminina estão a violar o direito das meninas e mulheres à vida, à integridade física e à saúde. Estão também a violar a ética médica fundamental de “não fazer mal”.

Considerando que os médicos são muitas vezes reconhecidos como pessoas que detém poder, autoridade e respeito na sociedade,  podem tornar-se defensores poderosos do abandono destas práticas quando a ela se opõem claramente. Em contraste, quando os médicos praticam a MGF, estão a legitimá-la, erradamente, enquanto uma prática médica ou benéfica para a saúde das raparigas e mulheres.

 O que tem a MGF a ver com o desenvolvimento sustentável?

As meninas e as mulheres podem ser poderosas alavancas de desenvolvimento. Mas, ao serem submetidas à MGF, vêm comprometida a sua saúde e bem-estar, assim como as suas oportunidades de educação e trabalho decente. Para além disso, nas comunidades onde a MGF prevalece, as mulheres e meninas enfrentam, frequentemente, múltiplas formas de violência e discriminação.

Eliminar a MGF vai contribuir para a realização de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que estão interligados, nomeadamente os relacionados com a saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de género, trabalho decente e crescimento económico. Desencadear todo o potencial das meninas e mulheres é também crucial para a realização de um "dividendo demográfico" em países onde um impulso económico é agora possível, devido à diminuição da fertilidade e uma maior proporção de pessoas em idade ativa.

 A MGF é um requisito religioso?

Nenhuma religião promove ou condena a MGF. Ainda assim, mais de metade das meninas e mulheres de 4 dos 14 países em que há dados disponíveis, acreditam que a MGF é uma exigência religiosa. Por esta razão, uma estratégia efetiva para acabar com a MGF passa por trabalhar com os líderes religiosos.

 Porque é que os pais submetem as suas filhas à MGF?

Em muitas comunidades, a MGF é considerada uma norma social. Muitos pais temem o ostracismo caso não cumpram a norma. Por esta razão, uma estratégia crucial na abordagem deste assunto são os diálogos educacionais de base local, incluindo com os líderes tradicionais e religiosos, focando-se nos direitos humanos, na saúde das mulheres e na igualdade de género. Muitas conversas revelam, frequentemente, menos apoio à prática do que os membros da comunidade afirmam. Assim, tornando a discordância visível, através de proclamações religiosas e declarações coletivas de renúncia à prática, pode-se ajudar a dissolver a convenção social e a estimular a mudança de atitudes e de comportamento.

 O que é o Programa Conjunto UNFPA/UNICEF sobre a MGF/E?

O Fundo das Nações Unidas para a População  (UNFPA, no acrónimo em Inglês) e o Fundo das Nações Unidas para as Crianças (UNICEF, no acrónimo em Inglês) lideram o maior programa global de aceleração do abandono da MGF. O programa centra-se em 17 países de alta relevância (Burkina Faso, Djibouti, Egito, Etiópia, Eritreia, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Quénia, Mali, Mauritânia, Nigéria, Senegal, Sudão, Somália, Uganda e Iémen), bem como em iniciativas regionais e globais.

O Programa Conjunto funciona através de políticas que institucionalizem a eliminação da MGF, através de serviços de saúde de alta qualidade que atendam às necessidades das meninas e mulheres que sofrem as consequências desta prática e através do aumento da aceitação do abandono da MGF como uma norma social.

Mudar as normas sociais e o comportamento típico passa por educar as comunidades sobre os direitos humanos e as consequências físicas, psicológicas e legais da prática da MGF. Um entendimento partilhado de que as meninas não devem nunca ser submetidas à MGF é a chave para uma mudança sustentável. A esse respeito, as decisões coletivas e públicas para acabar com a prática marcam um momento importante no processo de mudança social, indicando que a prática não é mais aceite nessa comunidade.

 Desde 2008 até ao final de 2014, o Programa Conjunto contribuiu para:

• Declarações Públicas de abandono da prática em cerca de 14 mil comunidades, que representam cerca de 11 milhões de pessoas

• A adoção de políticas nacionais, legislação ou proibições em sete países integrantes do programa e o reforço de muitas leis em mais de 800 casos

• Uma grande visibilidade dos esforços de abandono, através de mais de 43 mil reportagens na imprensa sobre a MGF

• A integração de protocolos  para sobreviventes de MGF em cuidados obstétricos em 5.500 unidades de saúde

• A formação de mais de 100 mil profissionais de saúde para a prevenção, resposta e cuidados relacionados com a MGF

5 de fevereiro de 2016, Traduzido & Editado por UNRIC

Comunidade Internacional promete 10 mil milhões de dólares para ajuda humanitária à Síria

Os líderes presentes conferência internacional sobre a Síria, devastada pela guerra, prometeram 10 mil milhões de dólares (8,9 mil milhões de euros) para ajuda humanitária ao país dvastado pela guerra. Na sua intervenção, o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, definiu três objetivos principais: aumentar em 7 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros) a ajuda humanitária, congregar apoios a longo prazo e proteger os civis.

“Nunca a comunidade internacional elevou tanto o apoio monetário, num único dia, para uma única crise”, disse Ban em entrevista, no final da conferência que foi co-organizada pela ONU e pelos governos do Reino Unido, Kuwait, Alemanha e Noruega.

Mais de metade do montante prometido destina-se a atender às necessidades imediatas da população vítima de quase sies anos de guerra que causou mais de 250 mil mortos, mais de 4 milhões de refugiados e cerca de 6.5 milhões de deslocados internos. Estima-se que 13.5 milhões de pessoas que vivem na Síria estão sob necessidade urgente de ajuda humanitária.

“Estas promessas irão permitir aos trabalhadores humanitários continuarem a alcançar milhões de pessoas com a ajuda que lhes salvará a vida", disse Ban Ki-moon. “Estas promessas de financiamentos a longo prazo e empréstimos significam que os parceiros humanitários e de desenvolvimento estarão disponíveis para trabalhar juntos para levarem, novamente, as crianças para a escola, desenhar programas de emprego e começar a reconstrução de infraestruturas", acrescentou.

O compromisso dos países que acolhem grande parte dos refugiados para abrirem os seus mercados de trabalho também é um progresso do ponto de vista so líder da ONUm que agradeceu aos governos da Jordânia, Líbano e Turquia “por escolherem a solidariedade ao invés do medo”.

Ban Ki-moon saudou o compromisso de ajudar 1,7 milhões de crianças refugiadas a regressar à escola na Jordânia, Líbano e Turquia e de aumentar o acesso a oportunidades de aprendizagem para as crianças que vivem na Síria.

“Saúdo o compromisso conjunto dos presentes para usarem a sua influência para acabar com os cercos e outros graves abusos dos direitos humanos”, disse Ban. “O que mais vai ajudar a população da Síria não é apenas a comida para hoje, mas a esperança no amanhã. No entanto, as partes do conflito permanecem profundamente divididas, mesmo relativamente à questão da melhoria da situação humanitária".

 confsiria2

Ban Ki-moon fez questão de criticar a falta de acesso das entidades fornecedoras de ajuda humanitário aos civis que se encontram sitiados e criticou, também, o aumento dos ataques aéros e das atividades militares para minar as negociações de paz, mediadas pela ONU, em Genebra.

O Secretário-geral da ONU pediu às potências mundiais para pressionem as demais partes a se empenharem, seriamente, nas negociações que deverão ser retomadas a 25 de fevereiro.

As negociações entre o governo e a oposição, que não foram diretas entre as duas partes mas mediadas por diplomatas da ONU em momentos e salas separadas,  foram suspensas pelo Enviado Especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, na quinta-feira, apenas dois dias após o seu inicio.

“É profundamente perturbador que os passos iniciais das negociações tenham sido travados pela contínua falta de acesso humanitário e por um repentino aumento dos bombardeamentos aéreos e das atividades militares no interior da Síria", disse Ban Ki-moon.

“Concordo totalmente com o Enviado Especial de que não devemos ter negociações só por ter negociações. Os próximos dias devem ser usados para voltar à mesa e não para garantir mais avanços no campo de batalha”, acrescentou, apelando ao Conselho de Segurança da ONU e ao Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG) que pressionem as partes a se envolverem seriamente.

O ISSG inclui a Liga Árabe, a União Europeia, as Nações Unidas e 17 outros países (incluindo os Estados Unidos da América e a Rússia) e lançou as bases para as negociações, definidas numa anterior reunião em Genebra, em novembro.

Quando apresentou os três objetivos para a conferência Ban Ki-moon mencionou, em primeiro lugar, a obrigação de reconhecer as enormes necessidades humanitárias, que exigem pelo menos sete mil milhões de dólares para 2016, o dobro do necessário no ano passado.

“Apesar da generosidade de muitos doadores, a comunidade internacional não conseguiu manter o ritmo de resposta a essas necessidades”, frisou.

Em segundo lugar, a comunidade internacional deve lançar as bases de apoio internacional a longo prazo, mesmo que por “algum milagre” o conflito termine amanhã. "As enormes necessidades humanitárias e de desenvolvimento irão continuar por vários anos ou até mesmo décadas.” A ONU está a liderar e a coordenar esse esforço”, declarou Ban.

“Os sírios e outros refugiados necessitam de oportunidades para trabalhar e sustentarem as suas famílias. Comprometamo-nos, hoje, a colocar todas as crianças sírias na escola, dentro de alguns meses, não anos. Oferecer esperança é a melhor maneira de diminuir o êxodo de sírios e prevenir a radicalização de uma geração perdida", explicou.

Em terceiro luga, devem ser encontrados meios para proteger os civis. “Todas as partes neste conflito cometeram abusos dos direitos humanos numa escala chocante. Os refugiados palestinianos, também vulneráveis, são duplamente desapossuídos e estão numa posição desesperada. Temos que acabar com os cercos e levar comida às pessoas que passam fome”, disse Ban Ki-moon.

O subsecretário-Geral da ONU para os Assuntos Humanitários e Coordenador da Ajuda de Emergência, Stephen O’Brien, destacou que, embora os doadores tivessem contribuído generosamente com 1,25 mil milhões de dólares para o apelo humanitário para a Síria, no ano passado, apenas tinham sido cobertas 43% das necessidades. “Podemos fazer melhor”, frisou.

 O orçamento apresentado dividi-se em duas partes: 3,2 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) para o Plano de Resposta à Crise Humanitária Síria, no interior do país, e 4,5 mil milhões de dólares (quatro mil milhões de euros) para o Plano Regional de Resiliência para os Refugiados, nos países vizinhos.

“Mostremos à população da Síria que somos seus parceiros. Não podemos esquecê-los, vamos dar-lhes esperança no seu futuro dando o passo, sem precedentes, de efetivar a 100% os compromissos para este ano", disse O'Brian.

“O ciclo vicioso de morte e destruição arrisca-se a ser visto como a nova normalidade na Síria. Mas a morte, o sofrimento, a destruição arbitrária e o desrespeito pela lei nunca deve ser visto como algo “normal”. Cada vez que pensamos ter atingido o limite de sofrimento humano nesta crise, este aprofunda-se, diante dos nossos olhos", acrescentou.

“As imagens recentes de pessoas extremamente magras, de crianças famintas na cidade sitiada de Madaya chocaram a consciência coletiva do mundo”, acrescentou, prestando homenagem aos milhares de funcionários, na sua maioria sírios e aos voluntários da ONU, ao Crescente Vermelho Árabe Sírio, às organizações não governamentais e aos funcionários do hospital que exercem as suas funções, encarando a pressão política, a violência e a intimidação.

"Eles são verdadeiros heróis humanos. Presto-lhes homenagem, e especialmente aos 82 colegas que perderam as suas vidas no cumprimento do seu dever”, disse.

A administradora do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) , Helen Clark, salientou que, em paralelo com o enorme esforço da ajuda humanitária, deve haver um aumento do investimento na construção da resiliência das pessoas e das comunidades, tanto na Síria como nos países vizinhos que acolhem refugiados.

“A necessidade de investimento, quer no apoio quer na resiliência, está bem refletida no apelo da ONU deste ano”, disse Calrck. “Existe, agora, uma forte reconhecimento da necessidade de dar mais apoio aos países vizinhos que acomodaram mais de quatro milhões de sírios.”

Entre os funcionários da ONU que participaram nas reuniões laterais da conferência, esteve o sub-secretário Zainab Hawa Bangura, representante especial do Secretário-geral geral sobre Violência Sexual em Conflitos, que elogiou todos os que têm prestado ajuda aos refugiados.

O seu agradecimento foi, em especial, para a Jordânia, Turquia e Líbano e vários países na Europa que deram apoio aos refugiados sírios e apelou a que, no decorrer do processo de asilo, seja dado aos sobreviventes de violência sexual a prioridade e  um serviço adequado, incluindo apoio médico e psicológico.

Zainab Hawa Bangura apelou à garantia de que essas vítimas e sobreviventes sejam mantidos junto das suas famílias para aliviar o seu trauma e assegurar a sua rápida integração. Pediu, ainda, garantias de que as crianças desacompanhadas que procuram refúgio sejam protegidas de modo a que não tornem vítimas de traficantes sexuais e de outros grupos criminosos. Por outro lado, a representante especial pede também acesso ao sistema de justiça, para prenderem os autores de crimes como a violência sexual.

5 de fevreiro de 2016,Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC

 

 

Conferência de doadores para a Síria tentará recolher oito mil milhões de euros

FOTO Jordi Matas/ACNUROs líderes mundiais analisam as necessidades humanitárias relacionadas com o conflito na Síria, esta quinta-feira, em Londres (Reino Unido), numa conferência de doadores organizada pelo Reino Unido, Alemanha, Kuwait, Noruega e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Clique aqui para seguir a sessão em direto

Estima-se que sejam necessários pelo menos 8,3 mil milhões de euros, sobretudo para dar resposta ao fluxo de refugiados que se concentram nos países vizinhos.

Entre os líderes europeus é de destacar a presença do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e da chanceler alemã, Angela Merkel; mas são esperados cerca de 70 líderes na reunião que é a quarta do género desde que a guerra começou há cerca de seis anos.

Na reunião participam, ainda, as organizações não governamentais, o setor privado e outras entidades da sociedade civil.

As Nações Unidas têm apelado a uma maior protecção dos civis, incluindo os milhares que fogem da crise em direção à Europa, e dos quais 60% são agora mulheres e crianças.

A angariação de fundos visa dar resposta a vários níveis de intervenção:

• captação de novos recursos significativos para responder às necessidades imediatas e de longo prazo das pessoas afetadas pela crise
• proporcionar o acesso à educação para todas as crianças refugiadas e das comunidades de acolhimento até ao final do ano escolar 2016-17 
• criar oportunidades de emprego para os refugiados e comunidades de acolhimento em países vizinhos
• reforçar a pressão internacional para travar abusos e promover o respeito pelo direito humanitário
• dar às pessoas que ainda vivem na Síria melhor acesso à saúde e à educação e aumentar o apoio aos mais vulneráveis, especialmente as meninas e mulheres
• discutir o papel da comunidade internacional na reconstrução da Síria assim que cessar o conflito

Negociações de paz suspensas

As negociações de paz mediadas pela ONU que estavam a decorrer em Genebra (Suíça), há dois dias, foram, entretanto, suspensas e deverão ser retomadas a 25 de fevereiro.

"Eu tenho vindo a pedir, mesmo antes de ter enviado os convites para as negociações, a implementação imediata de uma iniciativa humanitária", disse o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, numa conferência de imprensa, na quarta-feira.

Em causa estão questões tais como o levantamento de cercos que impedem o acesso das entidades de ajuda humanitária a vários locais que estão completamente inacessíveis.

"Foi-me assegurado que haveria iniciativas nesse sentido durante as negociações, mas agora o Governo diz que teve alguns problemas processuais que dificultam falar sobre o lado humanitário. Da parte da oposição tenho ouvido que é urgente fazer chegar a ajuda ao povo sírio", disse Mistura.

O enviado especial realçou que suspensão é apenas "uma pausa temporária" e não o fim ou o fracasso das conversações, notando que ambos os lados insistem que estão interessados em manter um processo político.

Staffan de Mistura deixou claro, desde o início, que não tem ilusões sobre as dificuldades em terminar uma guerra que já matou mais de 250 mil pessoas, criou mais de quatro milhões de refugiados e 6,5 milhões de deslocados internos. No interior do país, estima-se que 13,5 milhões de pessoas têm necessidade urgente de ajuda humanitária.

4 de fevereiro de 2016, Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC

Mensagem do Secretário-geral para o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, 4 de fevereiro de 2016

CANCRO2O Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, que é sempre uma oportunidade para mobilizar o mundo para este tema, tem um ímpeto especial, este ano, graças à recente adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que tem por objetivo proporcionar uma vida digna para todas as pessoas.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, aprovados por todos os governos, apelam à redução em um terço das mortes prematuras causadas por doenças não transmissíveis. Uma meta que se baseia num compromisso histórico assumido, em 2011, pelos Chefes de Estado. Também nos serve de guia a “Estratégia Global para a Saúde das Mulheres, Crianças e Adolescentes” e o  movimento “Cada Mulher, Cada Criança”, que desenvolvem esforços para obter melhores sistemas de saúde, uma cobertura universal de cuidados de saúde e a intensificação das intervenções para a prevenção e controlo do cancro, salvando mais vidas.

Temos de fazer mais para acabar com as inúmeras tragédias que o cancro inflige. Cerca de um terço dos cancros podem ser prevenidos, enquanto que outros podem ser curados se diagnosticados e tratados atempadamente. E mesmo quando o cancro se encontra em estado avançado, os pacientes devem poder beneficiar de cuidados paliativos.

O cancro afeta todos os países, mas aqueles que têm menos recursos sofrem impactos mais severos. Não há melhor exemplo do que o do cancro do colo do útero. Nos países mais pobres do mundo vivem oito em cada 10 mulheres diagnosticadas com cancro do colo do útero, e nove em cada 10 morrem da doença.

FOTO ONU

Embora seja de aplaudir o progresso no rastreio do cancro do colo do útero em muitos países com alto rendimento, temos a responsabilidade de replicar esse progresso nos países com menor rendimento, onde o cancro do colo do útero permanece um dos cancros mais comuns entre as mulheres.

Atualmente, temos o conhecimento, a experiência e os instrumentos necessários para proteger todas as mulheres, em todo o mundo. Uma prevenção abrangente contra o cancro do colo do útero inclui vacinas para proteger as raparigas contra a eventual infeção pelo Vírus do Papiloma Humano, medidas de rastreio e de tratamento precoce do cancro.

O lugar onde uma pessoa vive não deve determinar se desenvolve um cancro ou se morre por causa dele. Temos de trabalhar juntos para eliminar o cancro do colo do útero, que é um assunto de saúde pública, e reduzir o sofrimento em que vivem milhões de pessoas com vários tipos de cancro.

No Dia Mundial de Luta Contra o Cancro tomemos a decisão de terminar com a injustiça do sofrimento evitável causado por esta doença, algo que deve ser parte do nosso esforço maior para não deixar ninguém para trás.

Fórum da Juventude: Jovens são o fator-chave para a nova agenda da sustentabilidade

FOTO ONU/Rick Bajornas"Devemos sonhar alto e temos o potencial necessário para atingir objetivos ambiciosos”, disse o presidente do Conselho Económico e Social da ONU, Oh Joon, na cerimónia de encerramento do Fórum da Juventude, que decorreu a 1 e 2 de fevereiro, na sede da ONU, em Nova Iorque (EUA). "O que é que aprendemos? Que os desafios que a juventude enfrenta são reais”, acrescentou.

O Conselho Económico e Social, que reúne 54 membros, juntou centenas de jovens líderes para discutirem os esforços globais para garantir o desenvolvimento sustentável para todos. Oh Joon listou o desemprego, a pobreza, as alterações climáticas e a desigualdade como problemas que precisam de ser abordados através de "uma abordagem transversal e interligada”.

"Dito isto, as soluções existem e existe uma necessidade de um compromisso inspirador de todas as partes interessadas para avançar com a Agenda 2030”, frisou, referindo-se ao novo conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotados, no passado mês de setembro, por todos os Estados Membros da ONU.

O Fórum da Juventude deste ano, um evento anual a ter lugar pela quinta vez consecutiva, focou a forma como os jovens podem apoiar os objetivos em todo o mundo. O Presidente do Conselho Económico e Social sublinhou que a juventude irá ter um importante papel na defesa dos ODS para que as pessoas em todo o mundo possam ter conhecimento dos mesmos. "Este é um requisito para que ninguém seja deixado para trás”, declarou.

No Fórum foi decidido trabalhar com a juventude para promover os ODSs, criando participação e um processo político inclusivo para que as diversas vozes da juventude sejam ouvidas.

 

O desafio do emprego

Entretanto, a mensagem-chave que surgiu do Fórum foi o reconhecimento de que os jovens não são apenas agentes importantes na implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, mas são também diretamente afetados pelos desafios que os ODS procuram resolver.

"Um desses desafios é a crise de desemprego que os jovens enfrentam em todo o globo”, disse Oh Joon. "Como Presidente do Conselho Económico e Social, congratulo-me com o lançamento da Iniciativa Global sobre Trabalho Decente para a Juventude, do sistema da ONU, por parte do Diretor Geral da OIT, Guy Ryder, na abertura do nosso Fórum”, acrescentou.

O Conselho Económico e Social da ONU destacou a necessidade de criar empregos decentes para os jovens, melhorando a qualidade da educação e preparando-os  para corresponderem às necessidades do mercado de trabalho.

4 de fevereiro de 2016, Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC

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