Em 2010, os terramotos, as vagas de calor, as cheias e as tempestades de neve afectaram 208 milhões de pessoas, mataram cerca de 300 000 e causaram perdas no valor de 110 mil milhões de dólares. Hoje, a Assembleia Geral da ONU realizou um debate durante o qual foram discutidas medidas de atenuação dos efeitos das catástrofes, como construir escolas, hospitais e cidades mais seguros.
“Precisamos de aprender com as cidades e países que mostraram como se podem reduzir os riscos”, disse o Secretário-Geral Ban Ki-moon, na abertura da sessão que reuniu altos funcionários das Nações Unidas, parceiros da sociedade civil e presidentes de câmara. “A experiência e o bom-senso aconselham o mesmo: temos de investir hoje, para um amanhã melhor”.
Ban Ki-moon enumerou a longa lista de catástrofes naturais ocorridas no ano passado – tremores de terra no Haiti, no Chile e na China, cheias no Paquistão e na Europa, incêndios florestais na Rússia e nos Estados Unidos, ciclones e tempestades tropicais na Ásia. “Não houve praticamente um dia sem vidas devastadas, casas demolidas, pessoas deslocadas e esperanças destruídas”, disse.
Para o Secretário-Geral, todas essas mortes devido a catástrofes naturais “poderiam ter sido evitadas”. “É possível salvar vidas preparando-se, construindo escolas, casas, hospitais, cidades que resistam a esses riscos”, insistiu, antes de sublinhar que a redução de riscos teria de futuro “um papel cada vez mais importante”, pois “as alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos extremos serão cada vez mais frequentes e intensos”.
O Secretário-Geral referiu ainda que os países que mais integravam a redução de riscos nas suas políticas de desenvolvimento eram os que se encontravam em melhores condições para resistir e preservar os avanços no domínio do desenvolvimento, como aconteceu com a Austrália, que só sofreu perdas limitadas após a passagem do furação Yasi, apesar de ter sido um dos mais violentos que o país enfrentou.
Ban Ki-moon mencionou iniciativas da ONU, como a campanha mundial de redução de riscos nas metróples. Subordinada ao tema “Tornar a minha cidade resiliente”, congrega 600 cidades do planeta.
“Quanto melhor os governos, os organismos da ONU, as organizações, o sector privado e a sociedade civil compreenderem os riscos e a vulnerabilidade, mais preparados estarão para fazer face às catástrofes quando ocorrem - e irão seguramente ocorrer”, declarou o Secretário-Geral.
Por sua vez, o Presidente da Assembleia Geral, Joseph Deiss, considerou que a redução de riscos de catástrofe era “crucial para consolidar os avanços na realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) e alcançar o desenvolvimento sustentável”.
Tal como Ban Ki-moon, Joseph Deiss sublinhou que “nos países em desenvolvimento, onde as infra-estruturas são raras e a capacidade de resposta limitada, anos, por vezes décadas, de desenvolvimento económico são subitamente destruídos, perpetuando o ciclo de subdesenvolvimento, de pobreza e de falta de autonomia”. Considerando que a “redução da vulnerabilidade” deveria figurar entre as principais prioridades da comunidade internacional, congratulou-se com os avanços na implementação, a nível nacional, regional e global, do Quadro de Acção de Hyogo.
Adoptado em 2005, em Hyogo, uma região japonesa cuja principal cidade, Kobe, foi atingida por um forte sismo, em 1995, o Quadro de Acção é, hoje, o principal instrumento de redução de riscos da comunidade internacional. Implementado pela Estratégia Internacional de Redução de Riscos de Catástrofe, estabelece prioridades, define directrizes e oferece meios práticos aos países e colectividades vulneráveis, para que reforcem a sua resiliência.
Para o Presidente da Assembleia Geral, são necessários esforços adicionais para que “a urbanização rápida, conjugada com a degradação dos ecossistemas e a debilidade das infra-estruturas, deixe de acentuar a vulnerabilidade das comunidades”.
“O nosso objectivo, ao organizar este debate temático, é incentivar ainda mais a mobilização da comunidade internaiconal a favor da redução de riscos de catástrofe”.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 9/02/2011)