Apesar da difícil situação da economia mundial, os novos compromissos assumidos pelos governos significam que há esperança de conseguir que as mortes causadas pela malária, que actualmente mata 1 milhão de pessoas no mundo todos os anos, sejam eliminadas até 2015, data-limite do prazo fixado para o efeito, disse um alto funcionário das Nações Unidas.
"Com este tipo de compromissos, o facto de considerarmos possível atingir a meta até 2015 e acabar com as mortes causadas pela malária pode vir a revelar-se um dos grandes acontecimentos do princípio do século XXI", disse Robert Orr, Subsecretário-Geral para o Planeamento de Políticas, falando num encontro com jornalistas, ao fazer uma síntese dos resultados da cimeira da semana passada sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) e da sessão anual da Assembleia Geral actualmente em curso.
Robert Orr referiu os aumentos substanciais nos compromissos assumidos pela França, Canadá, Noruega e Japão perante o Fundo Mundial de Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária, apoiado pelas Nações Unidas, em vésperas da sua conferência de reconstituição de fundos, a que o Secretário-Geral Ban Ki-moon irá presidir na próxima semana, em Nova Iorque. Mencionou igualmente a promessa do Reino Unido de triplicar os seus fundos para o combate à malária, aumentando-os para 500 milhões de libras até 2014.
"Supunha-se não só que o ambiente actual era difícil para o Fundo Mundial... mas também que a reconstituição de fundos iria ser muito difícil", disse o Subsecretário-Geral, acrescentando que as promessas já feitas "eram um indício muito positivo de que a reconstituição de fundos irá correr muito bem".
Robert Orr mostrou-se satisfeito com a cimeira sobre os ODM no seu conjunto, em que estiveram reunidos 139 Chefes de Estado e de Governo.
"Ainda há seis, doze meses, havia dúvidas reais em muitos círculos de que seria possível conseguirem-se novos progressos no que se refere aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio no actual clima económico; considerava-se que os governos e todas as outras pessoas estavam a jogar à defesa e que não era o momento para se renovarem compromissos nem de modo algum para os reforçar", declarou.
"Penso que, nesse aspecto, a cimeira se revelou muito animadora", acrescentou Orr, mencionando o "facto significativo" de uma série de governos ter assumido compromissos suplementares.
Entre outros acontecimentos, Robert Orr destacou uma reunião sobre as alterações climáticas em que surgira "uma ideia muito mais clara" do caminho a seguir até à próxima conferência sobre o clima, a realizar em Cancun, no México, no final do ano, graças ao pacote equilibrado de medidas que fora proposto.
Nicholas Haysom, Director do Gabinete Executivo do Secretário-Geral salientou o valor das mini-cimeiras e das mais de 100 reuniões bilaterais que Ban Ki-moon realizou com dirigentes nacionais, "para rebater aquilo que um engraçadinho me disse, nomeadamente que a semana da Assembleia Geral é o equivalente diplomático do speed dating, em que os encontros são demasiado breves para que alguém se comprometa".
Como exemplos, referiu uma mini-cimeira sobre o Sudão, em que foram discutidas as consequências do referendo sobre a independência a realizar proximamente no Sul do Sudão, e uma outra sobre a Somália em que a ONU falou claramente da sua intenção de aumentar a sua presença neste país dilacerado pela guerra.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 29/09/2010)