Num debate da Assembleia Geral sobre os avanços no domínio da luta contra o VIH/SIDA no mundo, o Secretário-Geral Ban Ki-moon afirmou que há ainda muito mais a fazer para combater o VIH/SIDA, não obstante os consideráveis progressos alcançados no que se refere a reduzir a propagação da doença e assegurar o tratamento das pessoas infectadas pelo vírus.
Num discurso, proferido em seu nome pela Vice-Secretária-Geral Asha-Rose Migiro, Ban Ki-moon pronunciou-se a favor do acesso universal ao tratamento contra o vírus do VIH/SIDA e defendeu também o acesso universal à prevenção e à informação sobre os modos de contágio e os meios de protecção.
“Os indivíduos com maior risco de infecção pelo VIH são os membros das populações mais marginalizadas pela sociedade”, afirmou Ban Ki-moon, referindo-se aos homens que têm relações sexuais com outros homens, aos toxicodependentes e às trabalhadoras do sexo.
“O acesso universal significa mais do que garantir tratamento ou serviços de prevenção a quem deles necessita. Implica um esforço suplementar para chegar às pessoas marginalizadas, criminalizadas ou sem direitos”, acrescentou.
Congratulando-se com a baixa de 17% do número de novas infecções, desde 2001, e sublinhando também que mais de quatro milhões de pessoas, nos países de baixo e médio rendimento, beneficiam hoje de tratamento adequado, Ban Ki-moon apelou aos Estados-membros para que continuem a financiar a luta contra a SIDA, apesar da crise financeira que limita os fundos disponíveis.
À margem da reunião da Assembleia Geral, o Director Executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (ONUSIDA), Michel Sidibé, apresentou à imprensa o novo plano de acção quinquenal (2010-2014), lançado pelo organismo que chefia. O plano visa responder às desigualdades de género, uma vez que as mulheres continuam a estar mais expostas do que os homens ao risco de infecção.
“A epidemia está a tornar-se, infelizmente, numa epidemia que afecta principalmente as mulheres”, lamentou, numa conferência de imprensa, em Nova Iorque, recordando que 16 milhões de mulheres são seropositivas e cerca de 850 000 morrem por ano, devido à doença.
Michel Sidibé explicou que o novo plano de acção do ONUSIDA previa a intensificação das medidas que visam as mulheres e as raparigas, graças à implicação dos governos, da sociedade civil e dos parceiros do desenvolvimento, para reforçar as acções nacionais destinadas a colocar as mulheres e as raparigas no centro da resposta ao VIH/SIDA, velando pela protecção dos seus direitos.
Michel Sidibé lembrou igualmente que o melhor meio de eliminar as desigualdades de género perante a doença é o reforço da educação. Assim, a seu ver, é essencial sensibilizar os governos, para os incitar a pôr termo às desigualdades no domínio do acesso à educação, aos serviços de saúde e ao emprego.
Para ilustrar a dimensão do problema e a urgência da situação, citou o exemplo da Suazilândia onde metade das mulheres de 25 a 29 anos são seropositivas, para se interrogar sobre o futuro do país perante estes dados estatísticos.
Ao seu lado, a cantora e militante Annie Lennox, recentemente nomeada Embaixadora de Boa Vontade do ONUSIDA, disse ter tomado consciência da dimensão da pandemia, ao encontrar-se com Nelson Mandela, em 1993, por ocasião do lançamento de uma campanha nacional de luta contra o VIH/SIDA.
Annie Lennox sublinhou as dificuldades específicas das mulheres e a necessidade de lhes dar a capacidade de negociar uma sexualidade sem risco, evocando uma viagem de camioneta com 25 mulheres seropositivas da América Latina, que haviam sido infectadas pelos respectivos maridos.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 9/06/2010)