“Chegou o momento de dar um novo vigor ao
multilateralismo e de realizar uma acção verdadeiramente colectiva no seio da
Organização das Nações Unidas”, declarou o Secretário-Geral da ONU, Ban
Ki-moon, na abertura do debate geral da 64ª. Sessão da Assembleia Geral, em
Nova Iorque.
“É agora ou nunca. Chegou o momento de
restabelecer a unidade das Nações Unidas. A sua unidade de objectivos. A sua
unidade de acção”, disse.
“Em primeiro lugar, que este seja o ano em
que nós, nações unidas, nos mostrámos à altura do maior desafio que a
humanidade enfrenta: a ameaça de alterações climáticas catastróficas”, disse.
Lembrou que, este ano, viajara do Árctico às estepes da Mongólia e vira com os
seus próprios olhos os efeitos das alterações climáticas no planeta e nos seus
habitantes.
“Em segundo lugar, que este seja o ano em
que as nações se uniram para livrar o mundo das armas nucleares. Se agirmos
agora, conseguiremos as ratificações necessárias para a entrada em vigor do
Tratado de Proibição Total dos Ensaios Nucleares”, declarou.
“Em terceiro, no nosso combate contra a
pobreza, que este seja o ano que nos centrámos nos que foram ficando para trás”
e em que ajudámos os “quase pobres” e evitámos que se transformassem nos “novos
pobres”, quando estavam prestes a situar-se abaixo do limiar da pobreza.
Depois de ter pedido um último esforço de
grande envergadura para assegurar a consecução dos Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio, até 2015, o Secretário-Geral disse que deveria ser dada prioridade às mulheres e as
crianças. Segundo a UNICEF, a mortalidade infantil baixou 28%, nos últimos 20
anos. “Podemos esperar progressos semelhantes no que se refere à saúde e à
mortalidade maternas”, afirmou.
Segundo Ban Ki-moon, a prevenção da
violência contra as mulheres, deve ser uma prioridade absoluta. “Sejamos claros:
essa violência é abominável. Os dirigentes de todos os países são pessoalmente
responsáveis quando tais crimes são cometidos no seu território. Quando as
mulheres morrem durante o parto ou quando a violação se torna uma arma de
guerra e as vítimas não podem esperar ajuda, a ONU não pode fechar os olhos.
Foi por isso que, recentemente, haveis decidido criar um organismo responsável
por todas as questões relacionadas com as mulheres”, declarou.
O Secretário-Geral sublinhou que a
Assembleia Geral reafirmara a responsabilidade de proteger. “Na nossa época,
nenhum país, pequeno ou grande, pode violar impunemente os direitos fundamentais
dos seus cidadãos. Onde quer que haja um conflito, tem de haver justiça e
responsabilização. É por isso que o trabalho do Tribunal Penal Internacional é
tão importante. Esperemos que o mandato deste órgão saia reforçado da
conferência de exame que deverá ter lugar em Maio, em Kampala”.
A segurança e a justiça são indispensáveis
à realização de objectivos nobres, disse Ban Ki-moon, citando a situação no
Darfur, no Sul do Sudão, na Somália, no Sri Lanca, em Mianmar, em Gaza e no
Médio Oriente, no Afeganistão e no Paquistão.
“A ONU é a voz daqueles que a não têm, o
defensor dos indefesos. Se quisermos dar verdadeiramente esperança aos que não
a têm, se quisermos superar a crise económica, temos de incluir todas as nações
e todos os seus cidadãos. Trabalhando em conjunto, é possível conseguir tantas
coisas. Estamos aqui, juntos, para correr riscos, para assumir
responsabilidades, para nos mostrarmos à altura de uma situação excepcional,
para entrar na história”, declarou “Somos a melhor esperança da humanidade. É
agora ou nunca”.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de
Notícias da ONU a 23/09/2009)